segunda-feira, 21 de maio de 2018

POESIA - FLORES BRANCAS - THIAGO LUCARINI

Feito as flores brancas
Eu amarelo, amarelo-tempo
Corrido, passado sobre a pétala,
Por cima da pele, defronte os olhos.
Pela ordem prima da natureza
Eu e a flor deixaremos a beleza
De receptáculo virginal, noiva,
E cearemos amarelo-vencido, prescrito,
Fecundos em novos frutos, vida.

domingo, 20 de maio de 2018

POESIA - A HISTÓRIA DOS LENÇÓIS - THIAGO LUCARINI

Meus lençóis
Imaculadamente assépticos
São estéreis a qualquer
Outra vida além da minha.
Sou seu céu de Sol único
Fonte de calor restrita, molde.
Além da brancura pressuposta
Acumulam algumas manchas salinas
E outras amareladas de outros prazeres,
Neles só cabem meus cheiros e devaneios.
Contam histórias poucas, porém precisas
Sabem que, por vezes, a solidão nos basta
E que despidos da cama, são páginas ricas.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

POESIA - MINERADO - THIAGO LUCARINI

Não permita
Que roubem
O ouro do teu coração
Ou escavem tua alma.
Muitos escravos escuros de si
Em busca daqueles que brilham
Virão com pás e picaretas
Com a única intenção
De deixar o vazio poeirento,
O ser extraído de essência.
Cuidado! Pois uma vez oco e seco
Nenhum quilate puro regressa.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

POESIA - ÓCIO E AGONIA - THIAGO LUCARINI

Das agonias da alma
O ócio é o pior, pois
Apesar da ausência de dor
Cria monstros, distorções completas
Sobre idealizações perniciosas.
O ócio tóxico apodrece
Desde a carne aos ossos,
Insidioso consome toda fibra.
É lento, porém fatal.

sábado, 12 de maio de 2018

POESIA - CANÁRIO - THIAGO LUCARINI

Canário amarelo de canto sábio
Pequeno sol dos prados e vales

Canta suas alegrias em verões áureos
Levando alegria e sutileza à vida

Todos os outros animais param sua missão
Para ouvir aquilo que o pequenino canário ressoa do coração

As flores caem em regozijo, às árvores dançam
O vento embala sua sinfonia distinta

Que se enraíza na natureza primal e dos homens.
Canário amarelo, pequeno rei das aves, quilate,

Sua canção é do alto astro-solar
Inveja, a noite e suas estrelas têm por não te ouvirem

Pequeno Eldorado voante banhado em pó de ouro
A Terra toda vibra com tua ressonância essencial

Venha canarinho pouse em minha janela
E cante sonhos dourados a este coração cinza

Traga seu halo, sua coroa de luz amarela, primavera.
Seu canto santo e aqueça a noite sem fim do meu ser

quarta-feira, 9 de maio de 2018

POESIA - OLVIDA-TE ESQUECIMENTO - THIAGO LUCARINI


Esquecer é andar entre destroços
Que além se multiplicam,
Sem reparar na lividez dos ossos
Nem nas cinzas que ficam...
Cruz e Sousa

Plácido esquecimento férreo
Dor poente dos olhos lacrimosos
De alma dolente, enferma
Esperando solene extrema-unção
Ou algum tipo de última beleza.

Esquecimento: olvida-te de mim
Deixe-me ser eterno nos braços
Tépidos da memória de diafaneidades.
Olvida-me e queda-te em outros tantos
Pois sou só mais um poeta
E todos nós somos
Naturalmente
Destinados a ti.

Esquecimento...
Esfriamento da carne crua e morna...
Cimento do tempo...
Que enterra e cauteriza todos nós.

terça-feira, 8 de maio de 2018

POESIA - ENCAIXE - THIAGO LUCARINI

O encaixe na palavra
Depende do dia em uso
Do tempo externo e interno
Do estado sólido ou fútil do coração. 
A poesia faz uso destes artifícios
Deliciosamente enigmáticos 
De significar tudo num dia
E absolutamente nada noutro.